Recentemente, no Brasil, muitas companhias começaram a reconhecer a importância da inovação a fim de definir um saudável portfólio de projetos para o seu crescimento futuro. E, como consequência, elas passaram a investir tempo, dinheiro e energia para adquirir um melhor entendimento do que é inovação no contexto de seus negócios. O que se constata é que, na maioria das vezes, as suas iniciativas têm o foco no “o quê”, “como” e “quem” da inovação. Entretanto, elas seriam imensamente mais bem sucedidas se focalizassem primeiro o “por quê” da inovação.

 

Hoje, as empresas estão muito ansiosas para saber: 1) “o quê” da inovação, ou seja, quais são as ideias, os produtos, serviços, processos e tipos de inovação; 2) “como” elas devem fazer para inovar, isto é, quais são as técnicas, os sistemas, as metodologias, as ferramentas etc.; e 3) “quem” deve ser envolvido, papéis dos times, das lideranças e dos participantes de workshops.

 

Esta abordagem, porém, leva as empresas a deixarem de lado a mais poderosa inovação: o “por quê”. Afinal, se a empresa conseguiu crescer de forma saudável durante muitos anos sem ter que focalizar a inovação, por que é que ela tem que passar a fazê-lo agora?

 

Na realidade, é por não procurar responder de forma correta à pergunta “por quê” que a maioria dos esforços em inovação tem falhado. É o que mostra o exemplo de uma das maiores empresas multinacionais de seguro, que lançou um ambicioso projeto global de inovação, no qual uma metodologia padronizada deveria ser aplicada regionalmente. Cada região ficou encarregada de alocar os recursos, as ferramentas e as pessoas necessárias para implementar, em seus países, os processos de inovação definidos globalmente. No Brasil, todo o esforço resultou em um grande fracasso, mostrando-se incapaz de produzir o crescimento significativo tão esperado. E não foi por causa da falta de ideias (“o quê”), de participação (“quem”) ou de uma estrutura adequada para processar as ideias (“como”). Foi porque a estratégia já existente não contemplava crescimento fora dos negócios atuais.

 

Embora os líderes locais mostrassem dar todo o suporte ao projeto de inovação, sem uma nova definição do “por quê”, eles não precisavam de fato do projeto. No discurso, todos mostravam apoiar a iniciativa, mas o que se obtia de fato era um desvio de atenção e energia na execução da estratégia existente, na qual o principal desafio não era criar novas ideias, mas sim manter o foco e os esforços nos planos existentes.

 

Sem dúvida, o mais importante “por quê” da inovação é ajudar a companhia a descobrir novas maneiras de crescer. Na maioria dos casos, as empresas não sabem realmente o que significa “crescer de novas maneiras”. Acontece que, na prática, elas estão otimizadas para continuar a crescer da forma que elas já conhecem. E para crescer de forma diferente, é preciso investir para aprender, descobrir e articular com clareza o “por quê” da inovação, antes de se lançar com tudo na procura do “o quê”, “quem” e “como”.

 

Ao verificar a história das empresas, encontramos significativas razões que provam que até mesmo companhias com boas estratégias e planos devem procurar continuamente novas formas para crescer. Vide o exemplo da Nokia, um saudável fabricante regional de pneus que ousou ir além do crescimento previsível para o seu negócio e encontrou um novo “por quê” – conexão de pessoas – muito mais promissor, tornando-a rapidamente um dos líderes mundiais em celulares.

 

A não ser que as companhias possam responder o “por quê” da inovação de maneira profunda e adequada para o contexto dos seus negócios, seus esforços de inovação serão muito menos efetivos, mesmo que elas consigam responder bem às perguntas “o quê”, “como” e “quem”. Pois não há resposta certa para a pergunta errada…




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